Quando dizem que agora tudo é machismo, é verdade. Aliás, não é agora, sempre foi.

Saí esses dias, em um encontro de um grupo que tem como intuito fortalecer mulheres na área de tecnologia. É uma verdade amplamente conhecida que existem pouquíssimas mulheres nas áreas de exatas e quem perde com a falta de diversidade são, mesmo, as empresas.

Obviamente, o que se espera de um encontro desses é que exista um ambiente confortável pras mulheres discutirem seus problemas, suas vidas, suas contribuições e tudo mais. É conhecido, dentro do feminismo e em toda a sociedade, o fato de que mulheres são ensinadas a se colocarem em segundo plano, nunca se acharem boas o suficiente, evitarem entrar em discussões e guardarem suas reclamações - especialmente perto de homens. Mesmo assim, nunca fui contra a participação de homens em encontros desses grupos. Conheço feministas que são completamente contra e acham a pior coisa que poderia acontecer. Nunca entendi o porquê, até essa vez.

Houveram interrupções o tempo todo (o chamado manterrupting), além de ter acontecido um caso de mansplaining horrível, que ainda me dói. Bem, ela disse que sente preconceito, o preconceito existe. E ah, não tente "inverter" e falar que pode acontecer preconceito contra homens, okay? Obrigadinha =) Por cima disso tudo, ainda houveram piadinhas horríveis que reforçavam esteriótipos. E nem quando todo mundo ignorava ele, ele parou com isso.

O que foi o pior de tudo foi perceber que, mesmo quando ninguém concordava com ele, ninguém enfrentou ele. E existiam meninas lá que já vi enfrentarem coisas muito piores. É verdade, nós somos sim oprimidas.

Ainda não sou contra a participação masculina. Mas entendam que o espaço é NOSSO. Se vocês querem entrar, se comportem.
Ah, e moço, você foi um babacão =)
     Trabalhar com web é uma coisa interessante. Afinal, começou outro dia e já é enorme, a nível das pessoas não saberem mais como seria a vida sem ela.
     Sabe aquele site que você viu quando você era o hipster da sua turma e “navegava na internet” ao invés de sair pra brincar (se você é tão pirralho quanto eu)? O cara que fez esse site tá vivo, muito provavelmente. Assim como a enorme maioria de outros grandes nomes da Internet.
     No front-end, talvez até mais: os caras estão ali, do seu lado, facilmente acessíveis. Desenvolvedor front-end é um termo novo na história da web, que já é extremamente recente em si. E eles se sentem pessoas tão comuns quanto você.
     Front-enders são nerds bacanas. Daqueles novos que saem na TV e pelos quais as meninas usam camisetas “I  nerds”. Não são nerds estranhos que vivem trancafiados e tem fobia social, mas ainda são nerds. Eles gostam do social, até. Entrar pra comunidade não é difícil, desde que você esteja disposto a ser tão nerd quanto eles.
     Mas especial é o tanto que eles falam sobre comunidade. A colaboração dentro desse grupo é enorme. E eles colaboram pelo simples prazer de ver acontecer. É maravilhoso poder compartilhar essa sensação.

     Então, por que eu estou aqui, me sentindo uma outsider quando tudo que eu quero é fazer parte? A responsabilidade de colaborar com grandes nomes, em grandes projetos, ter a chance de conhecer as pessoas que estão fazendo acontecer no início de tudo e trabalhar com elas, acontecer mais… Dá medo. Talvez seja uma idolatria boba, sem sentido. Talvez seja uma insegurança estúpida.
     Não me importa. Não vai me atrapalhar. Eu estou indo e ainda será meu nome ao lado do deles. E o mais prazeroso não vai ser pensar que eu “cheguei ao nível deles”, mas que, naquele momento, eu posso ajudar tantas pessoas quanto eles.